sábado, 29 de janeiro de 2011
Silêncio.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A vista da minha janela
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
De olhos fechados como a um gato.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
AGORA
Entra pela noite dentro
uma claridade de lua e de olhos despertos.
Cala fundo a solidão da hora
e as palavras a serem escritas
Destino implorado
contra a morte da memoria.
Dorme-se agora por aí.
São oníricas as paisagens de quem
sem o apelo da alvura do papel
sem a traição da lembrança só
Só abre os olhos depois de os fechar.
Nada se move.
O céu agora com o croma do infinito
é sozinho.
Entra pela noite dentro.
terça-feira, 16 de junho de 2009

Parem tudo! Parem!... apaguem a luz e desliguem o sol. Escondam a lua, arrefeçam as noites quentes, ponham uma musica triste e não façam barulho que eu estou a pensar em ti. Suspendam o mundo e a pressa, guardem todos os projectos nas gavetas, parem de trabalhar, sentem-se no primeiro balcão e fiquem a ver-me destilar a tua saudade. Desistam de tentar demover-me, com ardilosos métodos, deste meu estado. Deixem-me estar. Eu quero estar triste.
É injusto o mundo para com a tristeza. Retirou-lhe o espaço, roubou-lhe liberdade. Hoje em dia não é bom estar triste, não é saudável, não é moderno, não está de acordo com a norma. A boa disposição veio, galopante, tomar conta da infelicidade das nossas vidas. Já ninguém aceita estar triste. Já ninguém aceita por companhia esse estado de alma e quando alguém está triste logo o mundo se revolta e exclui e logo saltam os amigos em socorro do companheiro ferido pelo desgosto e a saudade. Parem!! Eu quero estar triste!! Porque a tristeza também se conquista, também tem uma luz própria a iluminar as manhãs. Porque estar triste é ser honesto com o coração sozinho. É adormecer ofegante com os desejos reprimidos.
Parem tudo. Façam silêncio. Eu estou triste. Tenho saudades tuas ou de alguém. Sinto a tua falta. Leio poemas seguidos e são todos sobre nós. Passam as horas em que tu não estás e o tempo volta para trás, para antes de ti. Estou triste. Amarrotado. Sozinho. A navegar pelas águas, traiçoeiramente tranquilas, da minha tristeza. Demasiado ocupado com a tua memória para me lembrar sequer de continuar a viver. Aqui, mais ou menos, firme, a sentir a tua ausência.
Respeitem a minha tristeza. Não digam nada. Não minimizem o sofrimento com a trivialidade dos dias. Vocês sabem lá o que é estar triste. Nunca se permitiram a vocês próprios. Nunca se deixaram consumir pelo fogo lento da saudade. Nunca se encostaram na esquina de uma rua qualquer a ver o amor a desatar. A desatar a fugir. Para longe, para ficarmos a vê-lo existir sem nós só á distância do olhar e do carinho.
Porra! Deixem-me ser triste e melancólico. É assim que sou. A minha tristeza presta homenagem aos meus amores perdidos. É um tributo á minha felicidade momentânea. É parte do próprio amor. É o palpitar constante no peito. É o choro sem razão nenhuma para além do sabor salgado das lágrimas.
Estar triste não é o fim do amor é a constatação do mesmo. É amar tanto que dói. Querer tanto que se torna impossível. É humano e poético. Magoa, custa tanto como crescer, mas tem de ser.
Estar triste é ter a certeza de ter amado. É a alma a gritar por ti.

Um dia morro
terça-feira, 3 de março de 2009
IMPRESSÕES BASCAS
O PEQUENO BASCOAbriu muito lentamente a janela, apenas o suficiente para conseguir passar a mão. Já com a mão de fora deixa deslizar pela parede até á rua o pau da bandeira. Fecha a janela inspirando devagar como se isso o fizesse mais silencioso. Não conseguiu deixar de esboçar um pequeno sorriso. A bandeira dobrou-a meticulosamente até que coubesse no unico bolso disponível do saco que tinha a tiracolo. Entrou na sala já de casaco e gorro insuspeitos. A mulher estava de pé com o filho ao colo a pôr-lhe um ultimo agasalho. Sorriam. Sorriu-lhes. " Está pronto? ". Mais umas luvas e mais um " não te esqueças de prendê-lo sempre ao carrinho" depois e " sim, está pronto. Mas aonde vão vocês afinal? ".- "Dar uma volta só" e o sorrisinho a vir por aí fora a crescer por dentro. Era melhor sair já.